Costumeiramente, assistimos no inicio de cada ano, as reportagens que mostram as tragédias provocadas pelas chuvas em diversos pontos do Brasil.
Também vemos que muito embora, segundo afirmação de órgãos da imprensa, os valores para conter e resolver tais problemas sejam em torno de um décimo daquele que se gasta nas recuperações, os governos não se preocupam em investir nessa prevenção e, esperam anualmente que tudo se vá literalmente por agua abaixo, para em cima das dores e dos corpos, iniciar obras que nunca terminam.
Ora, explica-se facilmente esse tipo de atitude se considerarmos o fato de que havendo de fato a chamada “caixinha” do contratante, ou ainda a possível “ajuda” com verbas nas próximas eleições, o volume de dinheiro dessas comissões será tanto maior quanto maior for o valor da obra envolvida. Então, se com apenas um décimo do valor você resolve o problema de vez, seria um tiro no pé de qualquer governante que se preze, agir resolvendo o problema. Melhor deixar que tudo se destrua por ação das chuvas e depois reconstruir, sem obra de contenção. Assim, no próximo ano, começa tudo novamente.
Esse pensamento provavelmente não fica somente no campo das obras publicas. Quando verificamos que as empresas de segurança particular são de propriedade de ex-militares, e que muitos desses tornaram-se políticos, fica mais fácil entender porque a segurança publica não melhora. Oras, se melhorar, ficará mais difícil de vender serviços de “proteção” para empresas e pessoas abastadas. Imagine se os bancos puderem movimentar dinheiro tranquilamente sem a necessidade de carros blindados e batedores, porque a chance de qualquer ocorrência for mínima?
Outra situação que já tratamos em oportunidade anterior foi a Saúde pública. Os planos de saúde privados somente vendem bem e podem cobrar valores exorbitantes, se a saúde pública estiver mal. Quanto pior for a intervenção do Estado, melhor para o plano particular. Então, só resta aos proprietários desses planos, patrocinar aqueles que vão votar as regras e verbas da saúde pública e, fazer com que permaneçam sempre ruins.
Não é diferente com a educação e com o transporte, nem com a mobilidade urbana, nem com a produção rural.
Infelizmente, em um país onde se diz que política não se discute, nunca se discutirá de fato. permanecendo toda a população, a mercê do pensamento dos grupos corporativos que, via de regra, se fazem representar no congresso e apenas pensam em si próprios.

Nenhum comentário:
Postar um comentário