segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Duas vidas, duas histórias.



Nasceu em família de classe média. Desde pequeno teve acesso a boas escolas e nos pais, encontrou o apoio necessário para criar e aproveitar boas oportunidades na vida.
Aos 5 anos acompanhava o pai ao clube nos finais de semana e o observava nos jogos de tênis.
Desde então, pegou a raquete e não largou mais.
Ao ver seu interesse, o pai, estonteado de contentamento, investiu pesado no treinamento do filho, para a prática do esporte.
Raquetes de primeira, roupas bonitas e bem escolhidas, condicionamento físico, alimentação, torneios e torneios.
O menino passou a conviver em um mundo de glamour e muito dinheiro. Patrocinadores, platéia, torcida, ranking, ATP, etc.
Aos 14 anos já era bem conhecido, aos 15, estava entre os 5 primeiros do ranking juvenil. Aos 17, ninguém mais ouvia falar dele.
Não tinha altura suficiente para o esporte. Apesar de seu bom jogo, não conseguia enfrentar os cabeças do esporte. Mesmo os não tão bons, porém mais altos, lhe impunham grande sacrifício.
Teve que começar a trabalhar. Entrou na área de vendas, assim sobrava tempo para tentar ainda no esporte.
Aos 25 anos, tinha se tornado professor de tênis do clube. Não precisava pagar a mensalidade e ainda ganhava uns trocados.
Palavreado amargo! Ríspido com a meninada! Parecia amaldiçoar a cada minuto, o infortúnio de sua vida. Sentia-se um fracassado. Exigia disciplina de campeão e não admitia ensinar quem já tivesse mais idade ou não quisesse ser o primeiro do ranking.



Nasceu em família muito pobre. Desde pequeno pegou no batente para ajudar a mãe com as despesas domésticas, e suprir a falta do pai alcoólatra, que só aparecia para lhe dar uns tapas e tomar o dinheiro da mãezinha pagar as contas da casa.
Estudou em escola publica para ter acesso a merenda que saboreava rapidamente para entrar novamente na fila.
Aos doze anos, andava pela rua com um carrinho catando papelão para vender no depósito e as vezes parava em um clube da cidade para conversar com um de seus vizinhos que lá trabalhava como pegador de bola nas quadras de tênis.
Nessa idade, foi um dia convidado pelo amigo a conhecer as quadras e ser apresentado ao zelador das mesmas. Conheceu a raquete, as bolinhas e o paredão. Divertia-se um pouco enquanto o amigo terminava seu expediente de pegador de bola, para que os dois fossem juntos para casa. As vezes, deliciava-se ao ver a destreza do amigo batendo bola com um sócio que não encontrará naquele dia, parceiro para jogar. Tentava repetir os movimento quando tinha oportunidade no paredão.
Passou então a todas as tardes, entrar no clube para esperar o amigo e poder divertir-se um pouco.
Num certo dia, na falta de um dos meninos, ofereceu-se como apanhador de bolas e acabou ganhando uns trocados dos jogadores. Com a permissão do zelador, passou a dar expediente diário no clube. Muito melhor que catar papelão. E mais lucrativo. Aprendeu a dar umas tacadas. Tornou-se um bom jogador. Trocava bolas com os melhores jogadores do clube e também com os menos competentes ou ainda em fases iniciais de aprendizado.
Aos 25 anos se tornou professor de tênis do clube.
Gentil e de palavras doces, parecia agradecer a DEUS a todos os momentos pelo ambiente que lhe havia sido presenteado. A mãe, orgulhosa pelo sucesso do filho, não se cansa de dizer, esse menino vale ouro.

Qual história de vida queremos para nós? É bom pensar nisso porque ela está sendo escrita a cada momento.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Brasil que não Muda!

Costumeiramente, assistimos no inicio de cada ano, as reportagens que mostram as tragédias provocadas pelas chuvas em diversos pontos do Brasil.
Também vemos que muito embora, segundo afirmação de órgãos da imprensa, os valores para conter e resolver tais problemas sejam em torno de um décimo daquele que se gasta nas recuperações, os governos não se preocupam em investir nessa prevenção e, esperam anualmente que tudo se vá literalmente por agua abaixo, para em cima das dores e dos corpos, iniciar obras que nunca terminam.
Ora, explica-se facilmente esse tipo de atitude se considerarmos o fato de que havendo de fato a chamada “caixinha” do contratante, ou ainda a possível “ajuda” com verbas nas próximas eleições, o volume de dinheiro dessas comissões será tanto maior quanto maior for o valor da obra envolvida. Então, se com apenas um décimo do valor você resolve o problema de vez, seria um tiro no pé de qualquer governante que se preze, agir resolvendo o problema. Melhor deixar que tudo se destrua por ação das chuvas e depois reconstruir, sem obra de contenção. Assim, no próximo ano, começa tudo novamente.
Esse pensamento provavelmente não fica somente no campo das obras publicas. Quando verificamos que as empresas de segurança particular são de propriedade de ex-militares, e que muitos desses tornaram-se políticos, fica mais fácil entender porque a segurança publica não melhora. Oras, se melhorar, ficará mais difícil de vender serviços de “proteção” para empresas e pessoas abastadas. Imagine se os bancos puderem movimentar dinheiro tranquilamente sem a necessidade de carros blindados e batedores, porque a chance de qualquer ocorrência for mínima?
Outra situação que já tratamos em oportunidade anterior foi a Saúde pública. Os planos de saúde privados somente vendem bem e podem cobrar valores exorbitantes, se a saúde pública estiver mal. Quanto pior for a intervenção do Estado, melhor para o plano particular. Então, só resta aos proprietários desses planos, patrocinar aqueles que vão votar as regras e verbas da saúde pública e, fazer com que permaneçam sempre ruins.
Não é diferente com a educação e com o transporte, nem com a mobilidade urbana, nem com a produção rural.
Infelizmente, em um país onde se diz que política não se discute, nunca se discutirá de fato. permanecendo toda a população, a mercê do pensamento dos grupos corporativos que, via de regra, se fazem representar no congresso e apenas pensam em si próprios.