Ontem, participava de uma banca examinadora de TC - Trabalho de Conclusão do curso de graduação em Administração de Empresas, de uma das IES - Instituição de Ensino Superior na qual ensino.
As alunas, de forma brilhante, apresentaram o tema relacionado a Gestão do Ensino Médio Técnico e o planejamento do desenvolvimento futuro da cidade.
Como convidado, fui o primeiro a oferecer meus comentários e questionamentos as alunas. Iniciei perguntando aos demais se haviam feito o curso técnico de nível médio.
Interessante notar que aqueles que contam mais que 40 anos, haviam feito esse tipo de formação, enquanto os mais jovens, em sua maioria, reponderam negativamente.
A exposição das alunas havia demonstrado claramente, a grande oferta de vagas de trabalho à aqueles que detem a formação técnica de nível médio. Contudo, os jovens terminam o ensino médio regular e buscam uma graduação superior como "tábua de salvação" de seu futuro profissional.
A própria administração municipal, aparentemente não tem um plano de desenvolvimento que privilegie ramos específicos de formação, visando o desenvolvimento futuro de setores de produção ou tecnologia. No caso de nossa cidade, privilegiam os serviços e o comércio. Entretanto, com cursos oferecidos segundo o interesse das instituições que os mantém, como apurado pelas alunas em seu trabalho, em número de 6 instituições.
Lembro-me de quando terminava a chamada oitava série escolar, lá pela primeira metade da década de 1970 e queria cursar mecânica de automóveis no SENAI. Meu pai, irredutivel dizia: Não! Outro mecânico na familia? De jeito algum. Concordou por fim que eu fizesse Eletrotécnica seguindo meus tios.
A visão do velho era "operário não tem valor, tem que ser doutor". Aliás, visão de muitos naquela época.
Depois, diz o curso superior e segui pela carreira do ensino. Mas meu curso técnico me abriu portas importantes para chegar até aqui.
Necessário é que abandonemos a visão preconceituosa sobre a formação dos jovens para não comprometermos mais ainda o futuro dessa nação.