segunda-feira, 18 de abril de 2011

“A Saidinha a Progressão continuada” e o marketing de relacionamento


Quando se estuda marketing de relacionamento, verifica-se que a vantagem competitiva é conseguida pelas organizações que no “mapa mental” do cliente, mais agrega valor a sua oferta.
Segundo os autores da área, o resultado do valor agregado é uma equação onde soma-se os benefícios da oferta e subtrai-se os sacrifícios dela decorrente.
Em outras palavras, o cliente pesa em uma balança mental, situações como: tendo o benefício de pagar menos, a demora na entrega é maior. Vale a pena?
E sendo o benefício recebido maior, ele opta por aceitar a oferta.
Analisando o caso em questão e, aplicando sua filosofia as demais ocorrências de nossas vidas onde devemos decidir e assumir os benefícios e prejuízos de nossas escolhas, verificamos mesmo sem que nos aprofundemos muito na situação que, os legisladores e governantes de nosso país parecem desconhecer totalmente esse princípio que, em sua forma mais simples, poderia significar: a cada direito, compete uma obrigação.
Vejam duas situações que nos foram “enfiadas goela abaixo”. O caso da chamada “saidinha” oferecida pelo sistema carcerário para os prisioneiros sentenciados e cumprindo penas em penitenciárias no Estado de São Paulo e, a progressão continuada nas escolas paulistas.
Sei que há juristas e pedagogos que defendem com unhas e dentes esses dois instrumentos “socializantes”. Provavelmente, com maior furor, aqueles que não sofrem diretamente o impacto das ruas ou na salas de aula.
Vejamos, a cada feriado que se aproxima, são colocados nas ruas sem o menor critério – ao menos sem que haja um critério justo - milhares de indivíduos que a sociedade julgou, condenou e sentenciou a permanecerem afastados do convívio com os demais, por serem considerados párias.
Sem que haja nenhum programa interno de recuperação dos indivíduos, pois os mesmos somente são levados as celas, ou sem que se saiba os critérios de avaliação, solta-se o dito para aquém dos muros das cadeias a título de passar alguns dias com a família.
Interessante notar que nessas épocas aumentam os roubos as residencias (aliás, de uns tempos para cá o cidadão comum que tem que dizer a autoridade policial se foi roubo ou assalto. Não é? Uma questão que é de competência de quem estudou para isso, precisa ser de conhecimento da vítima se não quiser tomar um destrato do delegado de plantão: “isso não é assalto, é roubo”. Tenha dó), estupros, assaltos, violência em bares da periferia, etc. Será que tem algum relacionamento com a saidinha?
A progressão continuada é outra situação que merece a consideração da ótica benefício x sacrifício. Qual o sacrifício imposto para aquele que não estudou, não acompanhou, não aprendeu e provavelmente ainda contribuiu para atrapalhar quem se dedicou, ao receber o benefício de ir para a série seguinte? Ou pior ainda: qual o argumento do professor para com aquele que gosta de estudar e o sistema tratou como um imbecil?
A questão: qual o sacrifício exigido ao preso para receber o benefício da saidinha ou ao estudante que progride na série? Nenhum! Ficar preso não é o sacrifício, uma vez que essa foi a pena imposta a ele decorrente de um crime praticado e pelo qual foi julgado e condenado. Quanto ao estudante, não dá nem pra dizer. Talvez o sacrifício tenha sido apenas esperar o tempo passar para ganhar a série seguinte. Ócio remunerado, em ambos os casos. O sacrifício deveria ser algo além disso.
Não sendo assim, o “cliente” em questão – Preso ou Estudante - recebe uma oferta composta somente por valor agregado. Totalmente aceitável. E como todos nós já ouvimos falar: Aquilo pelo qual não se paga, não se dá o devido valor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário