segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bairrismo x Globalização: visão ampliada de mundo


Quanto era garoto, nas ruas de terra da Vila Cardia, nesta cidade de Bauru, a população da cidade era constituída por pouquíssimas pessoas que vinham de outras cidades. Muitos de nós éramos filhos ou netos de ferroviários. Estes sim, “estrangeiros”. Tínhamos certas duas coisas: o futebol amador nos dividia e, o Noroeste nos unia.
Mesmo assim, sabíamos que o Norusca era o segundo time da maioria. Pois todos nos declarávamos Palmeirenses, Corintianos, São Paulinos e alguns Santistas.  Era, pois natural, que alguns fossem ao estádio, torcer por seu primeiro time. Contudo, não havia muito a se fazer nos domingos à tarde. Por isso, o estádio lotava independente do clube adversário do Norusca.
Vinha o São Paulo, enchia de corintianos, palmeirenses e santistas para torcer pelo Noroeste. Abafávamos a torcida que vinha de fora e os são paulinos bauruenses que se aventuravam a torcer pelo tricolor.
Os tempos mudaram. A cidadezinha ficou lá atrás na história. Muitas coisas nas lembranças. Pois o mundo mudou. Deixou de ser provinciano. Ao menos as cidades. Pois recebemos em Bauru, grande contingente de pessoas de outras cidades.  Meus cunhados e esposa, por exemplo, em meio a tantos outros, nunca souberam o que é Noroeste. Exceto quando seus clubes de coração recebiam a maquininha vermelha em suas cidades. Não cresceram conosco.
Lamentavelmente, nos últimos dias e, agravado com a queda do Norusca para a A2, apareceram e aumentaram os ataques contra os torcedores do São Paulo que foram ao estádio torcer por seu time de coração. Como se fossem os culpados pela má campanha do Noroeste.
A questão poderia ser invertida: Onde estavam os palmeirenses, corintianos e santistas que historicamente faziam a torcida são paulina se calar?
Mas, creio que sejam somente comentários causados pela emoção e dor do rebaixamento. Se fosse sério, essa visão refletiria provavelmente, aquele mesmo pensamento que discrimina e abomina o diferente e, em muitos casos já chegou a provocar até mortes em nossos estádios. E sabemos que não é disso que se trata.
De qualquer maneira, Vamos lá Noroeste.

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