quarta-feira, 27 de abril de 2011

Até onde vai nosso Egoísmo?

Você já observou a quantidade de pessoas que usam o termo “só um minutinho”?
É um grande contingente de indivíduos. Contudo, não é somente em número que esse drama se torna assustador. É também, naquilo que representa nas entrelinhas: O Egoísmo!
Quando alguém diz para o outro, “é só por um minutinho”, em geral está aproveitando-se de uma situação que sabe ser ilegal e na maioria das vezes, imoral, e pede a cumplicidade do cidadão que o observa ou até mesmo que deve zelar pelo cumprimento de uma regra.
E se for reprovado com uma resposta do tipo: Não senhor! Nem por um minuto. Provavelmente sairá blasfemando contra o “inoportuno” interlocutor. Em outras situações, poderá até mesmo se tornar agressivo e violento.
É o que se passa com a utilização das vagas reservadas para estacionamento em locais públicos.
Mas e se tivessemos a situação contrária: a ocupação de vagas regulares de estacionamento por objetos ou veículos impróprios? Não ficamos doidos da vida quando em uma quadra de estacionamento difícil, encontramos por exemplo, uma caçamba de entulhos ocupando uma vaga? Ou quando o dono de um estabelecimento coloca uma cadeira para reservar a vaga para si próprio ou para um veículo que lhe trará uma mercadoria?
Todos esses são atos de egoísmo que muitas vezes a Lei não pune e a sociedade não coíbe.
Veja o vídeo e entenda a abordagem crítica inteligente que o autor faz ao caso. Não consegui comprovar a autoria do material mas pode ser encontrado no http://www.youtube.com/watch?v=C50FAN9bYqU 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bairrismo x Globalização: visão ampliada de mundo


Quanto era garoto, nas ruas de terra da Vila Cardia, nesta cidade de Bauru, a população da cidade era constituída por pouquíssimas pessoas que vinham de outras cidades. Muitos de nós éramos filhos ou netos de ferroviários. Estes sim, “estrangeiros”. Tínhamos certas duas coisas: o futebol amador nos dividia e, o Noroeste nos unia.
Mesmo assim, sabíamos que o Norusca era o segundo time da maioria. Pois todos nos declarávamos Palmeirenses, Corintianos, São Paulinos e alguns Santistas.  Era, pois natural, que alguns fossem ao estádio, torcer por seu primeiro time. Contudo, não havia muito a se fazer nos domingos à tarde. Por isso, o estádio lotava independente do clube adversário do Norusca.
Vinha o São Paulo, enchia de corintianos, palmeirenses e santistas para torcer pelo Noroeste. Abafávamos a torcida que vinha de fora e os são paulinos bauruenses que se aventuravam a torcer pelo tricolor.
Os tempos mudaram. A cidadezinha ficou lá atrás na história. Muitas coisas nas lembranças. Pois o mundo mudou. Deixou de ser provinciano. Ao menos as cidades. Pois recebemos em Bauru, grande contingente de pessoas de outras cidades.  Meus cunhados e esposa, por exemplo, em meio a tantos outros, nunca souberam o que é Noroeste. Exceto quando seus clubes de coração recebiam a maquininha vermelha em suas cidades. Não cresceram conosco.
Lamentavelmente, nos últimos dias e, agravado com a queda do Norusca para a A2, apareceram e aumentaram os ataques contra os torcedores do São Paulo que foram ao estádio torcer por seu time de coração. Como se fossem os culpados pela má campanha do Noroeste.
A questão poderia ser invertida: Onde estavam os palmeirenses, corintianos e santistas que historicamente faziam a torcida são paulina se calar?
Mas, creio que sejam somente comentários causados pela emoção e dor do rebaixamento. Se fosse sério, essa visão refletiria provavelmente, aquele mesmo pensamento que discrimina e abomina o diferente e, em muitos casos já chegou a provocar até mortes em nossos estádios. E sabemos que não é disso que se trata.
De qualquer maneira, Vamos lá Noroeste.

“A Saidinha a Progressão continuada” e o marketing de relacionamento


Quando se estuda marketing de relacionamento, verifica-se que a vantagem competitiva é conseguida pelas organizações que no “mapa mental” do cliente, mais agrega valor a sua oferta.
Segundo os autores da área, o resultado do valor agregado é uma equação onde soma-se os benefícios da oferta e subtrai-se os sacrifícios dela decorrente.
Em outras palavras, o cliente pesa em uma balança mental, situações como: tendo o benefício de pagar menos, a demora na entrega é maior. Vale a pena?
E sendo o benefício recebido maior, ele opta por aceitar a oferta.
Analisando o caso em questão e, aplicando sua filosofia as demais ocorrências de nossas vidas onde devemos decidir e assumir os benefícios e prejuízos de nossas escolhas, verificamos mesmo sem que nos aprofundemos muito na situação que, os legisladores e governantes de nosso país parecem desconhecer totalmente esse princípio que, em sua forma mais simples, poderia significar: a cada direito, compete uma obrigação.
Vejam duas situações que nos foram “enfiadas goela abaixo”. O caso da chamada “saidinha” oferecida pelo sistema carcerário para os prisioneiros sentenciados e cumprindo penas em penitenciárias no Estado de São Paulo e, a progressão continuada nas escolas paulistas.
Sei que há juristas e pedagogos que defendem com unhas e dentes esses dois instrumentos “socializantes”. Provavelmente, com maior furor, aqueles que não sofrem diretamente o impacto das ruas ou na salas de aula.
Vejamos, a cada feriado que se aproxima, são colocados nas ruas sem o menor critério – ao menos sem que haja um critério justo - milhares de indivíduos que a sociedade julgou, condenou e sentenciou a permanecerem afastados do convívio com os demais, por serem considerados párias.
Sem que haja nenhum programa interno de recuperação dos indivíduos, pois os mesmos somente são levados as celas, ou sem que se saiba os critérios de avaliação, solta-se o dito para aquém dos muros das cadeias a título de passar alguns dias com a família.
Interessante notar que nessas épocas aumentam os roubos as residencias (aliás, de uns tempos para cá o cidadão comum que tem que dizer a autoridade policial se foi roubo ou assalto. Não é? Uma questão que é de competência de quem estudou para isso, precisa ser de conhecimento da vítima se não quiser tomar um destrato do delegado de plantão: “isso não é assalto, é roubo”. Tenha dó), estupros, assaltos, violência em bares da periferia, etc. Será que tem algum relacionamento com a saidinha?
A progressão continuada é outra situação que merece a consideração da ótica benefício x sacrifício. Qual o sacrifício imposto para aquele que não estudou, não acompanhou, não aprendeu e provavelmente ainda contribuiu para atrapalhar quem se dedicou, ao receber o benefício de ir para a série seguinte? Ou pior ainda: qual o argumento do professor para com aquele que gosta de estudar e o sistema tratou como um imbecil?
A questão: qual o sacrifício exigido ao preso para receber o benefício da saidinha ou ao estudante que progride na série? Nenhum! Ficar preso não é o sacrifício, uma vez que essa foi a pena imposta a ele decorrente de um crime praticado e pelo qual foi julgado e condenado. Quanto ao estudante, não dá nem pra dizer. Talvez o sacrifício tenha sido apenas esperar o tempo passar para ganhar a série seguinte. Ócio remunerado, em ambos os casos. O sacrifício deveria ser algo além disso.
Não sendo assim, o “cliente” em questão – Preso ou Estudante - recebe uma oferta composta somente por valor agregado. Totalmente aceitável. E como todos nós já ouvimos falar: Aquilo pelo qual não se paga, não se dá o devido valor.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Hipocrisia tem Limite

O texto a seguir não é de minha autoria. Está em  http://www.ricaperrone.com.br/2011/04/hipocrisia-tem-limite/. Contudo, vale a pena conhece-lo. O autor chama a nossa atenção para situações do cotidiano, que podem estar sendo usadas por grupos mal intencionados, com objetivos unicos de conseguir midia e transferir aos demais, uma culpa que necessariamente, eles não tem.            


Hipocrisia tem limite


Eu sei, é bonito defender causas nobres e que estejam na moda. Sei também que vai pintar ONG pra tudo que é lado me enchendo o saco e interpretando o que eu digo, também, como uma “ofensa” ou “preconceito”. Mas, convenhamos, sem viadagem… já deu né?
O Cruzeiro ser punido no Voley porque sua torcida chamou o carinha do outro time de “viado” é a piada do século. Pra mim, é claro. Pra muitos é a “lição de moral” do ano.
Qualé a novidade em uma torcida chamar um adversário de viado? Qual foi o jogo, dentre os últimos 9 milhões aqui no Brasil, onde a torcida local não chamou o destaque rival de “viado”?
Onde é que está o processo contra as torcidas que chamaram o Ronaldo de gordo?
Cadê a liga da justiça pra encher o saco quando xingam a mãe do juiz no futebol?
Não tem ONG “Mamães legais” ainda? Cria uma aí, pô! Se dá grana não sei, mas ibope dá.
Vamos separar as coisas e excluir o oportunismo ignorante, que é o pior que tem.
O sujeito que nasce negro ou branco não pode ser discriminado pela cor que tem. Racismo é CRIME, é absurdo e não faz sentido.
O que não tem NADA a ver com o fato de eu virar pros meus amigos negros e chama-los, carinhosamente, de “Negão”. Pois assim o Pelé, rei do futebol, se chama, por exemplo.
Como nunca dei ataque por ser chamado de “gordinho” ou “alemão”.
São termos que, goste você ou não, perderam o tom ofensivo. É absolutamente popular, comum, inofensivo.
Assim como brincar com seu amigo e chama-lo de “viado”, ou hostilizar um rival com o termo. É normal, não quer dizer que “odiamos você por você gostar de meninos”.
Quer dizer: “Você é viado!”, sendo ou não. É uma forma de mexer com o jogo, só.
Ser gay, que no meu conceito é 100% diferente de ser viado, é uma OPÇÃO SEXUAL. Viado é uma “opção pra aparecer”. Assim sendo, é opcional ser gótico, Emo, pagodeiro, roqueiro, palmeirense, flamenguista, etc. Você escolhe o que quer ser e como quer viver. E isso gera grupos que se afastam ou se aproximam de você.
Adoro samba, logo, tenho enorme facilidade em ter amigos sambistas. Não tenho, porém, grandes amigos roqueiros daqueles que andam de preto balançando a cabeça. Sou guitarrofobico?
Porra! São escolhas, e não ofendendo, não menosprezando, é tão direito seu andar de rosa quanto meu andar do outro lado da rua. Qualé?
Você quer ser gay ou amigão da galera? Quer ter direitos ou “mais direitos” que os outros?
Pelo que brigam, afinal?
Porque nunca no esporte ficaram de nhe-nhe-nhe com as ofensas de uma torcida a um jogador e agora vão fazer isso?
Porque ele é gay? E dai? Quem disse que a mãe do juiz não é, de fato, uma puta?
Como fica então as musiquinhas de torcida que ofendem pessoas de outro estado a cada jogo? Puniram alguém por isso?
Fizeram ondinha por isso?
Me lembro que na Vila Belmiro a torcida do Santos meteu faixas tirando sarro do Richarlyson, que jura não ser gay. No outro dia tinha jornal e principalmente moralista babaca na tv dizendo que o “ato homofobico” da torcida….
Que homofobia se ele é homem???????
Homofobico é você, que está chamando ele de gay.  A torcida deu a ele o mesmo tratamento que dá ao destaque do time rival, sempre.
Maior palhaçada esportiva que já vi nos últimos tempos a punição ao Cruzeiro. Ridículo, lamentável e hipocrita.
Eu não sou gay, nunca destratei um gay, não sou homofobico, mas não quero ter um filho gay. Como não quero ter um filho gótico e nem Emo, o que não me torna um “emofobico” ou “Goticofobico” e nem gera centenas de moralistas me enchendo o saco.
Porque? Quem está tendo “tratamento diferenciado” agora?
Sejam gays. A gente aceita. Só não forcem pra ser “exemplo”.
Se querem igualdade, taí. O que querem, agora, é tratamento VIP.
Já nos obrigaram, com razão, a respeitar. Não tentem nos obrigar a gostar.
abs,
RicaPerrone

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Trabalho Voluntário: ampliando nosso mundo e derrubando preconceitos


 
Essa semana, declarações polêmicas do deputado federal Jair Bolsonaro (RJ), trouxeram a tona novamente a questão do preconceito racial e homofóbico.
 Sem dúvida, é assustador ver e ouvir em um veículo de comunicação, afirmações que soam mal aos ouvidos, principalmente provenientes de alguém que supostamente teria sido eleito a um cargo público para defesa dos interesses dos cidadãos.
Contudo, não nos surpreende que atos desse tipo ainda sejam presentes na sociedade humana. Nem mesmo, os ataques de todos os tipos, inclusive com ofensas pessoais, que agora sofre o deputado em questão.
O preconceito e a discriminação são parte integrante dos grupos sociais, infelizmente.
Os mais evidentes, logicamente, são as que se referem a cor, a preferência sexual e a classe social. Contudo, há outras ações que raramente são vistas como preconceituosas e que via de regra levam a atos discriminatórios. As questões religiosas por exemplo. Não faz muito tempo, um grupo de jogadores do Santos deixou de visitar uma casa que atende crianças, apenas por preconceitos instigados por apelo religioso. Porém, quanto se fala que “tal igreja é um caça níqueis” ou quando se diz que “aqueles outros adoram imagens”, exercitamos nossa visão preconceituosa e discriminadora.
Muitas vezes, dentro de uma mesma congregação, percebemos a discriminação ou o preconceito. A Terceira Epístola de João (destinada à Gaio), já tratava desse assunto que leva a “divisão das casas”.
Não é difícil perceber que tais fatos decorrem da pequenez de nosso mundo. Se o mundo no qual vivemos é pequeno, não há espaço para o diferente. Todo espaço tem que ser ocupado somente por aquilo que nos agrada. Deixamos de aceitar qualquer fato que seja diferente. Assim, não nos damos chance de compreendê-lo, pois procuramos afastá-lo de nossa convivência.
O trabalho voluntário nos permite ampliar os horizontes desse mundo.
O exercício de atividades de forma espontânea, junto a uma comunidade diferente, formada por pessoas que pensam diferente, se comportam diferente, se vestem e até falam diferente, nos ajuda a ampliar o espaço de nosso mundo interior, ocupando-o com uma diversidade de riqueza incomparável que nos ajuda a melhor interpretar a nós mesmos.
Olhamos para o outro, e nos vemos de forma diferente. Projetando-nos no outro, melhoramos nosso entendimento da vida. E assim nos tornamos melhores.
E como disse João, “Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus (III João, 11).