Em pleno século XXI – é isso mesmo, a primeira década já se foi – ficamos aterrados ao ouvir noticias de que uma cidade deverá implementar a construção de um novo aterro sanitário para descartar seu lixo urbano.
O lixo compactado em um aterro sanitário, produzirá o chorume, um líquido poluente que escorre e é levado pelas chuvas, contaminando o solo e podendo contaminar lençóis freáticos.
Além do mais, a área reservada ao aterro, em geral fica fora da área urbana. Na zona rural do município. E nesses locais, existem comunidades que dependem da exploração da área para produção agrícola ou criação de animais. Produtos esses que retornarão as quitandas e açougues da cidade. Ou seja, nenhum crime fica impune.
Mas o que parece inacreditável, é a complacência da população diante da inoperância dos governantes. A discussão sobre um aterro sanitário ou pior, sobre um novo aterro sanitário, fica somente no âmbito político. Num dado momento, a discussão toma o caminho de definir somente se o aterro será na área A ou B.
Não se discute mais se há alternativas ao aterro. Ninguém traz novidades ao tema, sobre por exemplo, o que e como fazem as cidades europeias ou asiáticas. Se essas alternativas são ou não mais viáveis em termos ambientais e no longo prazo, etc.
Também fala-se em custos sem contudo esclarecer se o BNDES que financia a compra de empresas brasileiras por grupos internacionais, também financiaria algo em benefício da população desse município. Ou ainda, outras formas de financiamento como aquelas existentes através do Banco Mundial, por exemplo, que muitas vezes vemos nas noticias dos Jornais e TV.
O fato é que em uma sociedade dita moderna, onde simplesmente ao abrir um site de buscas na internet, o mundo se nos revela em mil e uma faces, nos falte informações para enriquecer o debate e as discussões sobre um fato tão significativo e que provavelmente, causará um impacto tão grande em nossas vidas e nas vidas daqueles que nos sucederão nessa terra.
Necessário é que a sociedade através de seus grupos organizados (sindicatos, associações de classe, OAB, CIESP, catadores de recicláveis, etc.), tome imediatamente posição e assumindo a responsabilidade pelo mundo que teremos no futuro. Estamos construindo-o nesse exato momento.

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