Recentemente, soubemos da noticia da morte de um professor de educação física em um acidente com seu automóvel que fora abarroado por um trem da ALL – América Latina Logística, na cidade de São José do Rio Preto.
Acompanhei a noticia e comentários dos leitores pelo site http://www.folha.com.br/, observando que muitos dos leitores creditam o fato a simples desatenção por parte do motorista. Um deles inclusive, perguntava se nos cruzamentos em nível, existentes no interior do estado, não tem placas “Pare, Olhe, Escute”. Fiquei impressionado com a falta de tato para com o momento, falta de respeito para com as famílias que já perderam parentes vitimas desse tipo de acidente e, principalmente, com a falta de conhecimento do cidadão.
Basta andar por qualquer das cidades que são cortadas atualmente por malhas férreas, para observar o descaso a que é relegado esse tipo de cruzamento, tanto pelas empresas operadoras das ferrovias, quanto pelo poder publico municipal.
Quem tiver oportunidade, observe alguns desses cruzamentos. Em Bauru, não é diferente. Um local por onde constantemente tenho que passar, é o cruzamento de via férrea pela rua Antônio Alves, bem no centro da cidade.
O mato existente nesse local é tão volumoso que alimentaria um grupo de equinos durante uma semana. Aliás, diante da inoperância do governo municipal em ao menos exigir que o administrador ferroviário mantenha o local livre de obstáculos a visão, fico imaginando “quem seriam os ditos equinos, na visão desses administradores”.
Quando da privatização, muitos de nós acreditamos que teríamos um novo ciclo de ferrovias no país. Principalmente, no estado de São Paulo onde muitas cidades tiveram esses empreendimentos como princípio de seu desenvolvimento econômico. Contudo, tratava-se apenas de um golpe capitalista onde o estado se livrou de uma encrenca, o operador ganhou uma mina de ouro, e a população mais uma vez paga as contas.
Diante da situação de irresponsabilidade anunciada e conhecida de todos, a pergunta deve ser: esse crime é culposo ou doloso?

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