domingo, 27 de março de 2011

Trabalho Voluntário: Disciplina e atenção as regras

Não há como negar que a prática do trabalho voluntário é atualmente a pilastra mais forte que ampara os serviços realizados por nossas instituições.
Com o apoio de dezenas ou até mesmo centenas de voluntários, algumas instituições mantêm várias atividades nas áreas assistenciais e educacionais. Basta visitar os trabalhos nos hospitais, nos albergues e nos núcleos de periferia das cidade de grande e médio portes, para constatar essa verdade.
Contudo, o trabalho voluntário é executado dentro de normas tanto impostas pela legislação trabalhista, quanto pelas existentes em função dos regimentos internos das instituições.
As instituições, principalmente nos serviços voltados a área assistencial, costumam ter regras pré-estabelecidas que devem ser seguidas pelos voluntários. Não basta simplesmente o desejo de contribuir. É necessário que essa contribuição não afronte as iniciativas já existentes, pois, certamente foram devidamente planejadas e executadas.
Certa vez, em nossa casa, recebemos um par de jovens que desejavam ardentemente participar de nossos serviços. Como voluntário é sempre recurso escasso, recebi-as com a maior atenção, mostrei os serviços da casa e expliquei as condições básicas. Entre essas, estava a distribuição de um lanche para cada criança, após as atividades da manhã. Só um lanche? Por quê? Temos essa regra porque não teríamos condições de dar mais que um para cada criança, e também já havíamos percebido em tempos anteriores que, ao receber mais que um lanche, muitas das crianças jogavam os demais pelo meio do caminho. Até que as voluntárias aceitaram bem, apesar de certa desconfiança.
Porém, foi só perceberem que ao final da distribuição do lanche sobravam alguns pães que deveriam ter sido destinados provavelmente as crianças que faltaram as atividades daquele dia, retomaram o assunto.
Expliquei que essa regra de comportamento era vital para o aprendizado daquelas crianças. Fui imediatamente taxado de egoísta, pão-duro e anti Cristão.
Fiquei chateado, mas sabia que aquela era a melhor coisa a fazer. Já havíamos constatado na prática.
Surpresa foi na semana seguinte quando as ditas pararam o carro em frente a casa aproximadamente na hora do lanche e abriram o porta malas lotado de pães. O intuito, distribuir o que fosse necessário para todos os que quisessem.
A princípio estava organizado com algumas crianças formando fila e recebendo sacolinhas de supermercado com 3 ou 4 pães cada. Até que começou a juntar gente e a distribuição saiu do controle. Era gente entrando pela porta traseira do veículo e saindo pela frente. E vice-versa. Com muito custo, nós conseguimos puxá-las para dentro da casa de assistência até que a turba terminasse de pegar o que encontrava. Ambas tremiam dos pés a cabeça. Enquanto tomavam um copo de água com açúcar, falavam diversos impropérios contra aquelas pessoas.
Enganaram-se, ao não considerar que desconheciam as necessidades verdadeiras daquele povo e, pessoas de todas as classes sociais saem de controle em situações de aglomeração.
Esse fato tem seu lado engraçado, mas não é raro. Muitas pessoas, imbuídas principalmente daquele sentimento de irmandade do final de ano, costumam tomar para si certas ações sem consultar as entidades que trabalham o ano todo naquela região e, apesar de saírem bonito na foto, na maioria das vezes acabam por perturbar o trabalho daqueles que ali já executam atividades planejadas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Modelo Chinês de Administração


Quando os japoneses apresentaram ao mundo, um novo modelo de administração, mais eficaz e racional que o então modelo americano utilizado no mundo ocidental e até hoje ainda, por muitas empresas brasileira, houve primeiramente um grande descrédito, depois os comentários maldosos e a seguir, a aceitação inevitável provocada pelas resultados desse modelo. Hoje, guardadas as proporções, vivemos em relação ao modelo chinês, provavelmente a segunda dessas etapas, os comentários maldosos.

Praticamente todos indivíduos ou organizações que são atingidos pelos esforços chineses para conquistar o mundo comercial e promover seu próprio desenvolvimento econômico, os tacham de ditadura, escravagista, pouco confiáveis, desqualificados para a qualidade, etc. As vezes até com considerações pessoais e preconceituosas. Fato é que provavelmente, o que estamos presenciando é o surgimento do Modelo Chinês de Administração.

Esse modelo, ao que tudo indica, passa por uma racionalização muito maior que aquela introduzida pelos japoneses com a produção enxuta de Taiichi Ohno. Pois também considera a substituição de materiais e conceitos de durabilidade, adequando-os aos novos padrões mundiais, que estão se estabelecendo.

Os padrões a que me refiro, são aqueles relacionados a qualidade do produto (bem ou serviço) e satisfação das necessidades do cliente. Tais necessidades são efêmeras e tendem a alterar-se com uma velocidade incrivelmente maior do que aquela do período da primeira metade do século XX, quando o modelo americano se estabeleceu, e também muito maior do que aquela do período pós segunda guerra mundial, quando o modelo japonês desbancou o modelo anterior. Contudo, os conceitos de criação e satisfação de necessidades dos consumidores, ainda é mantido pelo marketing ocidental, nos mesmo padrões daquele período.

Imaginemos por exemplo, um produto originário de uma fabrica japonesa na década de 1950. Deveria ter a qualidade e durabilidade iguais ou melhores que aquelas construídas nas fábricas do ocidente, pois a cultura existente era a de que o produto deveria durar anos, ao mesmo tempo, apresentar preços competitivos para o mercado mundial. Para que esses critérios fossem atendidos, os japoneses tiveram que reduzir custos racionalizando onde os americanos ainda não haviam racionalizado. Contudo, mantendo as características exigíveis de qualidade para que as necessidades dos consumidores fossem atendidas.

Atualmente, os chineses também buscam o mercado internacional, através da satisfação das necessidades dos clientes. Essa condição não mudou e provavelmente não mudará. Contudo, como dissemos, essas necessidades dos clientes mudam com uma velocidade incrivelmente maior do que aquela do século XX. Basta ver, a quantidade de vezes que os jovens trocam aparelhos celulares e outros eletrônicos que nem conseguimos saber qual está em evidência no momento. Torna-se necessário uma grande velocidade de adequação por parte das empresas e maior racionalização de processos organizacionais, ainda para que se tenha custos baixos e alto valor agregado a cada item que se oferece.

Contudo, o marketing criador das necessidades ainda permanece o mesmo nas empresas ocidentais. Ainda se fala em qualidade que permita durabilidade de anos, para um aparelho que será descartado em dias. Usamos os mesmos materiais e componentes que usaríamos como se o produto tivesse que ser usado tal qual fora criado, nos próximos 10 anos.

O resultado disso é que nossas industrias geram muito material de descarte e sobras industriais que encarecem o custo, prejudicam o meio ambiente, e não agregam o valor efetivo que seja perceptível por parte do cliente.

Em gestão pela qualidade, aprendemos que tudo que não agrega valor, agrega custo. E aparentemente, é em cima desse conceito que trabalham os chineses. Substituindo materiais e componentes por outros de menor durabilidade, conseguem com que um produto chegue mesmo a durar três vezes mais que a necessidade de uso dos clientes ao qual se destinam, mesmo que sua vida útil seja três vezes inferior ao de seus concorrentes. Ou seja, inferior aos padrões ocidentais. Por exemplo: Um veículo chinês que custa muito barato em relação aos ocidentais e que se diz durar apenas 3 anos. A pegunta é: quem fica com um veículo por mais que três anos? Claro que certamente você conhece várias pessoas. Contudo, porque elas ficam com seus veículos? Porque o marketing diz que devem ficar se não têm posses para comprar um zero quilometro. E porque ficam? Porque ouvem essa mensagem há muito tempo. E se pudessem trocar, mesmo que em três anos o veículo fosse destinado para o desmanche e o consumidor saísse com um novinho pagando apenas o que ele realmente vale? Provavelmente trocaria.


 
Além do mais, mesmo com substituição de materiais na produção de bens, muitas vezes se atinge uma durabilidade inesperada. Essa semana, vi um comercial de uma empresa chinesa fabricante de veículos que oferece seis anos de garantia para seus automóveis. Quem oferece essa garantia no mercado ocidental?

Fato é que essa mudança no conceito de marketing, considerando-se a durabilidade do produto relativamente a vida útil, vai acontecer. Até porque tem o apelo da preservação do meio ambiente. Os chineses já perceberam e estão tornando seus produtos cada vez mais confiáveis e atrativos por todo o mundo. É um modelo de gestão “frugal”. Livre de gordurinhas indesejáveis e bem mais conforme o modo jovem de viver a vida. Fatalmente, esse modelo se expandirá pelo mundo, como o modelo Toyota se disseminou pelo Japão na década de 1950, propiciando o surgimento do Modelo japonês de gestão. Quando o ocidente perceber, já estaremos envolvidos por ele. Se é que já não estamos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Recursos esgotáveis: dia mundial da água

Na data de 22 de março, comemora-se o dia internacional da água. Esse recurso que hoje sabemos escasso e findável.
Quando garoto, o tratamento era diferente. A água era tratada como recurso natural, inesgotável e abundante. As “cartilhas” escolares abordavam o tema dessa maneira.
Criou-se em várias gerações, o conceito do desperdício. Tem justificativa, claro. O país saia da sociedade rural. Desenvolvia-se. Ou ao menos, dava os primeiros passos a caminho do desenvolvimento. Uma sociedade desenvolvida consome mais água. Aliás, consome maior volume, praticamente de tudo.
Come mais, usa mais produtos, mais recursos, mais energia, mais, mais, mais. No caso da água, consome mais até porque passa a ser mais bem servido. Hoje, boa parte dos municípios brasileiros tem serviço de água encanada. Há algumas décadas, era no poço. Em sua maioria, poços rudimentares.
O Brasil vem se desenvolvendo a passos largos e, aumentando o consumo da água. A China então, nem se fale. Imagine só como se consome água naquele país.
A questão maior é que de fato, a água é recurso renovável. O problema é que o consumo aumenta em velocidade exponencialmente maior do que a capacidade da natureza em nos oferecê-la renovada.
Por isso, precisamos dar uma mãozinha para a natureza. Temos que no mínimo, diminuir o desperdício. Aquele banho demorado, por exemplo. Pode esquecer! Senão, estaremos trabalhando contra o planeta.
Imagine se cada chinês gastar um litro de água tratada, a toa, quando escova os dentes. São um bilhão e trezentos milhões de litros de água jogados literalmente no ralo, a cada escovada de dente dos chineses. Se tiverem bons hábitos de higiene, diríamos que se pode multiplicar esse número por cinco.
Mas não precisamos ficar na torcida para que os chineses tenham maus hábitos não! Eles já acordaram para isso há muito mais tempo. Os chineses economizam muitos recursos. E não é porque têm mais consciência ambiental não. É que os números lá são tão grandes para tudo que vai se falar que, ou eles adotam posturas racionais ou têm que investir em infraestrutura diariamente. E nesse caso, não há dinheiro que chegue.
Vamos pensar no futuro nosso, do país e do planeta. Adotemos critérios racionais de utilização dos recursos naturais. Se não podemos ainda oferecer ajuda renovando os recursos, vamos ao menos racionalizar seu uso.
(a figura mostrada nesse blog foi retirada do endereço:  http://maoscriacao.blogspot.com/2010/03/dia-da-agua.html, ao qual também sugerimos sua visita).

sábado, 19 de março de 2011

Como forma de respeito, não se manifeste!

Ouvia-se no salão os últimos acordes do Hino Nacional Brasileiro. O Povo em silêncio sepulcral retornava as suas cadeiras. O cerimonialista, o mesmo que havia alertado sobre a Lei (Lei? Em seu artigo 30, não proíbe) que proíbe as manifestações de qualquer natureza após o hino nacional, retomava a palavra.
Que coisa sem graça, pensei! Onde já se viu? As pessoas querendo aplaudir.... Afinal, é um hino lindo, todos gostam, as emoções ficam a flor da pele. Porque não se manifestar? De onde será que vem essa orientação? Qual a finalidade?
Não se manifestar, em sinal de respeito! Ou seria somente, não se manifestar?
Parece que essa é a vida do brasileiro. Não se manifestar! Proibido de se manifestar!
Não se manifestar quando o Hino é executado!
Só pode se manifestar quando o time de futebol ganha, ou perde! Quando a Escola de samba é campeã, ou rebaixada! Aí pode! Eta Pão e Circo que nunca termina.
Não se manifestar quando o sistema de ensino visa “mediocrizar” as crianças, os professores, e, por conseguinte, a sociedade!
Não se manifestar quando o sistema político pede a comprovação dos gastos parlamentares, ao invés de pedir o controle dos gastos!
Não se Manifestar quando o prédio cai e mata dezenas!
Não se manifestar quando o sistema jurídico leva 20 anos para julgar e atribuir pena! Mesmo que o crime prescreva em 10 anos.
Não se manifestar....!
Não se manifestar....!
Não se manifestar....!
Meu Deus, até quando?
Parece que depois das diretas já, procurou-se no Brasil a cultura do não se manifestar.
Com certeza, porque perceberam que quando o povo se manifesta, as coisas acontecem de uma maneira ou de outra.
Chega! Vamos nos manifestar em prol desse país! Vamos usar os espaços para mobilizar-nos em busca de um novo comportamento. Vamos aplaudir, gritar, apupar, mas vamos, principalmente, nos mexer.
(esse texto, de minha autoria, foi publicado no portal http://www.recantodasletras.com.br/ em 26/02/2009 e minha indignação desde então, somente aumentou)

Quer ver uma coisa linda? acesse: http://www.youtube.com/watch?v=0Ac1AWLwB-E  depois diga a si mesmo se devemos ou não aplaudir, gritar, dar vivas, e tudo aquilo que nos ajude a expressar o júbilo de ser brasileiro.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cruzamento em nível: Crime culposo ou doloso?


Recentemente, soubemos da noticia da morte de um professor de educação física em um acidente com seu automóvel que fora abarroado por um trem da ALL – América Latina Logística, na cidade de São José do Rio Preto.

Acompanhei a noticia e comentários dos leitores pelo site http://www.folha.com.br/, observando que muitos dos leitores creditam o fato a simples desatenção por parte do motorista. Um deles inclusive, perguntava se nos cruzamentos em nível, existentes no interior do estado, não tem placas “Pare, Olhe, Escute”. Fiquei impressionado com a falta de tato para com o momento, falta de respeito para com as famílias que já perderam parentes vitimas desse tipo de acidente e, principalmente, com a falta de conhecimento do cidadão.

Basta andar por qualquer das cidades que são cortadas atualmente por malhas férreas, para observar o descaso a que é relegado esse tipo de cruzamento, tanto pelas empresas operadoras das ferrovias, quanto pelo poder publico municipal.

Quem tiver oportunidade, observe alguns desses cruzamentos. Em Bauru, não é diferente. Um local por onde constantemente tenho que passar, é o cruzamento de via férrea pela rua Antônio Alves, bem no centro da cidade.

O mato existente nesse local é tão volumoso que alimentaria um grupo de equinos durante uma semana. Aliás, diante da inoperância do governo municipal em ao menos exigir que o administrador ferroviário mantenha o local livre de obstáculos a visão, fico imaginando “quem seriam os ditos equinos, na visão desses administradores”.

Quando da privatização, muitos de nós acreditamos que teríamos um novo ciclo de ferrovias no país. Principalmente, no estado de São Paulo onde muitas cidades tiveram esses empreendimentos como princípio de seu desenvolvimento econômico. Contudo, tratava-se apenas de um golpe capitalista onde o estado se livrou de uma encrenca, o operador ganhou uma mina de ouro, e a população mais uma vez paga as contas.

Diante da situação de irresponsabilidade anunciada e conhecida de todos, a pergunta deve ser: esse crime é culposo ou doloso?

terça-feira, 15 de março de 2011

Ainda a Previdência: a solução pode ser eliminar a iniciativa privada ao invés de privatizar

Quando disse que a previdencia no modelo atual era um fracasso, uma das perguntas que me fizeram a respeito foi em relação à maneira que se poderia utilizar para que a previdência fosse somente destinada a prevenção e cuidados com a saúde das pessoas e não direcionada prioritariamente a aposentadoria. Se a privatização não seria a melhor saída.
Definitivamente, está aí um setor onde a privatização somente atrapalha. Alguém tem dúvidas de que a saúde pública no Brasil está no caos em que se encontra, sem que ninguém tenha interesses nisso?
Ora, quanto pior estiver o sistema de saúde, maior será o argumento de venda das Empresas Privadas nesse setor. Não precisam nem gastar em propaganda. Eu mesmo corri atrás de um Plano desses, depois de passar quatro horas no pronto socorro municipal, aguardando atendimento para meu filho que havia sofrido acidente automobilístico. Uma vergonha depois de tanto dinheiro que já “dei” para o governo com esse propósito.
E as aposentadorias? Essa sim poderia ser privatizada. Tenho certeza que não faltarão empresas interessadas. Pois também é um ramo muito lucrativo. Seria interessante. O governo retira-se da aposentadoria e retira as empresas privadas dos Planos de Saúde.
E como tenho certeza que iria melhorar? Simplesmente pelo fato de que se não houver alternativa ao serviço de saúde oferecido pelo governo, os deputados, senadores e demais políticos também terão que utilizá-lo.  E certamente, desejarão um serviço de primeiro mundo. Isso também poderia ser aplicado a Educação.
O único jeito de reverter rapidamente o caos que certos setores encontram-se no Brasil, é criar meios de obrigar os nossos legisladores a provarem do próprio veneno.

domingo, 13 de março de 2011

Previdência social e aposentadoria: o fracasso anunciado

Não é de hoje que os governos lutam em vão para manter um programa de previdência social que assista a população e garanta votos ao mesmo tempo.
Tradicionalmente, ao ser criado, os planos de previdência social garantem aos governos uma inundação financeira que faz os governantes sentirem-se enriquecidos da noite para o dia, e aumentarem o grau de desmandos administrativos uma vez que o dinheiro para remunerar os que de fato se aposentarão, somente será requerido décadas no futuro.
Interessante que todo mundo que paga a previdência oficial nesse país, apenas pensa na aposentadoria. Parece que ninguém se dá conta que a população está vivendo mais e que de fato, ninguém está se aposentando.
Os poucos premiados que chegam a completar o tempo de serviço (mínimo de 35 anos para homens) e a idade requerida (53 anos), têm que continuar trabalhando para não morrer de fome.
O que de fato nos passa despercebido é o tempo que pagamos esse imposto obrigatório. Particularmente, alguém que como eu, tenha passado a vida inteira de trabalho, ganhando salários próximos a dez salários mínimos por mês, pagou sempre pelo teto de arrecadação da previdência. Contudo, nunca e, digo com a máxima segurança, nunca mesmo, utilizei do sistema de saúde pública que também é mantido pela arrecadação previdenciária.
Vejam só, pagamos como se a única coisa a compensar no final, fosse a aposentadoria e deixamos de cobrar a excelência no atendimento da saúde que é muito mais necessária num país onde cada vez se vive mais.
Então, porque não acabar com esse engodo da aposentadoria, uma vez que dificilmente vamos nos aposentar?
Se tivesse eu a oportunidade de, durante minha vida ter obtido atendimento médico de qualidade, através do serviço público, não necessitaria ter gasto os milhares de reais que gastei durante esse tempo todo pagando planos médicos e, com certeza, metade ou menos dos valores mensais que paguei me dariam uma aposentadoria tão insignificante e odiosa quanto a que receberei do governo caso chegue de fato a requerer o benefício (dá até nojo de chamar de benefício).
 E não seria injusto para com as classes menos favorecidas, uma vez que todos teriam o atendimento médico hospitalar necessário e de qualidade.
Desde 1968, se não me engano, que vivemos a repetição dos mesmos discursos e erros do programa oficial de previdência social brasileiro.
Sugiro aqueles que hoje estão ainda nos bancos das universidades e que serão a força trabalhadora nas próximas décadas, que pensem nisso com carinho. Porque os governantes, não estão pensando.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Meio Ambiente: O mundo que estamos construíndo

Em pleno século XXI – é isso mesmo, a primeira década já se foi – ficamos aterrados ao ouvir noticias de que uma cidade deverá implementar a construção de um novo aterro sanitário para descartar seu lixo urbano.

O lixo compactado em um aterro sanitário, produzirá o chorume, um líquido poluente que escorre e é levado pelas chuvas, contaminando o solo e podendo contaminar lençóis freáticos.
Além do mais, a área reservada ao aterro, em geral fica fora da área urbana. Na zona rural do município. E nesses locais, existem comunidades que dependem da exploração da área para produção agrícola ou criação de animais. Produtos esses que retornarão as quitandas e açougues da cidade. Ou seja, nenhum crime fica impune.

Mas o que parece inacreditável, é a complacência da população diante da inoperância dos governantes. A discussão sobre um aterro sanitário ou pior, sobre um novo aterro sanitário, fica somente no âmbito político. Num dado momento, a discussão toma o caminho de definir somente se o aterro será na área A ou B.

Não se discute mais se há alternativas ao aterro. Ninguém traz novidades ao tema, sobre por exemplo, o que e como fazem as cidades europeias ou asiáticas. Se essas alternativas são ou não mais viáveis em termos ambientais e no longo prazo, etc.

Também fala-se em custos sem contudo esclarecer se o BNDES que financia a compra de empresas brasileiras por grupos internacionais, também financiaria algo em benefício da população desse município. Ou ainda, outras formas de financiamento como aquelas existentes através do Banco Mundial, por exemplo, que muitas vezes vemos nas noticias dos Jornais e TV.

O fato é que em uma sociedade dita moderna, onde simplesmente ao abrir um site de buscas na internet, o mundo se nos revela em mil e uma faces, nos falte informações para enriquecer o debate e as discussões sobre um fato tão significativo e que provavelmente, causará um impacto tão grande em nossas vidas e nas vidas daqueles que nos sucederão nessa terra.

Necessário é que a sociedade através de seus grupos organizados (sindicatos, associações de classe, OAB, CIESP, catadores de recicláveis, etc.), tome imediatamente posição e assumindo a responsabilidade pelo mundo que teremos no futuro. Estamos construindo-o nesse exato momento.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Desafios do Voluntariado no Século XXI: entendendo o contexto

Louvável a iniciativa de algumas Instituições de Ensino Superior, ao incluir programas de assistência social voluntária como parte das horas complementares que seus alunos devem cumprir.
Sem duvida, essa pequena iniciativa pode ser o empurrãozinho que alguns necessitam para descobrir dentro de si, a potencialidade de ajudar o próximo.
Contudo, observamos que em alguns casos, a conclusão dessa ação dá-se somente no final do semestre letivo. Quando os alunos estão mais desesperados por cumprir os requisitos administrativos que de fato, apreender algo  de novo.
No final do ultimo ano (2010), vivemos uma situação que ilustra o caso. Alunos de uma universidade da cidade, nos procuraram com a proposta de ajudar-nos na festa de natal que realizaríamos para nossos pequenos da evangelização infantil.
Após os entendimentos iniciais, ficamos sabendo que eles desejavam comprar brinquedos a sua escolha e entregá-los pessoalmente, em uma data previamente determinada.
Ficamos contentes com a inesperada oferta mas, lamentamos não poder aceitar a contribuição.
Explicamos ao representante do grupo que muito embora fosse uma gentil doação da parte deles, nosso trabalho voluntário é pautado em um Projeto pedagógico no qual conteúdos, formas  e datas de aplicação, são previamente planejados e têm um propósito.
Enquanto o objetivo dos alunos era simplesmente entregar presentes, fotografar e, fazer um relatório para o coordenador do curso. Interferindo inclusive na data de nosso evento.
Ficaram chateados. Disseram que até pra fazer caridade encontram dificuldades. Lamentável.
Recomendamos aos queridos jovens que numa próxima oportunidade, ofereçam-se no inicio do semestre de maneira a contribuir de fato com a verdadeira necessidade do assistido.
É mais produtivo que imaginar “o que o outro precisa” e tentar convencê-lo a aceitar.
O premio do trabalho voluntário deve ser a realização pessoal de sentir-se útil.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ciclistas, Pedestres, Motoristas: a Guerra Urbana.


No site da Folha  de São Paulo, de hoje (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/886188-com-bicicletadas-ativistas-declaram-guerra-aos-monstroristas.shtml), interessante matéria cujo título “Com bicicletadas, ativistas declaram guerra aos monstroristas”, mostra a que ponto chegamos no confronto diário nesse país.
Um grupo de ciclistas cansados de atropelamentos e outras situações de perigo vividas no transito, faz justamente o contrario do que necessitamos para melhorar o caos que vivemos nas ruas: Declaram guerra.
Deveriam declarar a Paz! Convidar os motoristas a maior respeito às regras de trânsito. Exigir punição aos infratores. Enfim, procurar resolver e não aumentar o problema.
Declarar guerra, dando bicicletadas nos veículos, apenas acende a ira do opositor, podendo sim transformá-lo em arma assassina. Imagine se o motorista resolver dar uma “carrada” no ciclista. Quem sairá na pior?
Não estamos nos dando conta de que, com o desenvolvimento econômico de nosso país e o crescimento das cidades, mais e mais pessoas passam a se locomover em longas e médias distâncias sem que haja políticas publicas privilegiando o transporte. Nem transporte coletivo de massa, nem transporte individual que não seja automotor.
Amigo de trabalho vai todos os dias para o escritório em sua bicicleta. Vive tomando fechadas. É muito corajoso, em minha opinião. Eu gostaria de ter essa coragem. Mas não consigo pensar em andar de Bike nessas ruas cheias de carros, ônibus, caminhões, motos e buracos.
A “guerra” começa a se estabelecer debaixo de nossos narizes e provavelmente, não terá um fim muito adequado, se não houver mudança geral de comportamento.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Empresário e o Político

Cada vez mais, notamos a ausência de representantes das classes empresariais no meio político.
A política está aparentemente sendo relegada às velhas raposas de sempre. Porém, essas raposas parecem renovar-se na idade. Pois muitos jovens, atualmente, ao cursarem a universidade já o fazem com o intuito de desenvolver carreira na política.
Seria ótimo caso esses jovens se armassem das Leis e modelos de gestão, para levarem consigo algo de bom e inovador ao cargo publico ao qual possam ser eleitos e, conduzir de fato e dentro das normas de Moral e Ética, as mudanças que a sociedade solicita.
Contudo, conversando com muitos desses, sobre qual seria sua postura e como seria sua atuação após eleitos, percebemos tristemente que sua intenção é participar do poder e receber para si aquilo que puderem, independentemente dos resultados para os demais indivíduos.
Daí, percebermos também que muitos deixam suas carreiras fracassadas em outros campos de atividade, e lançarem-se as eleições, aproveitando-se dos recursos midiáticos que tiveram em passado no qual foram verdadeiras estrelas públicas. É o caso de ex-jogadores de futebol, ex-lutadores de boxe, ex-comediantes, ex-jornalistas, e outros ex-alguma coisa.
Com isso, torna-se cada vez mais evidente nesse meio, a retórica de que administrar o público é diferente de administrar o privado, sucesso empresarial não é garantia de sucesso como administrador da coisa pública etc. Afinal, já pensaram o medo que dá se um empresário administrador chegasse ao poder publico e realmente mudasse as coisas?
Fatalmente essa corja que se instala nos cargos em todas as esferas de governo estaria ameaçada. Daí, os ataques pessoais muitas vezes imorais com que a “velha” politicagem ataca os novos candidatos que não compactuam com seus interesses ou que têm chance de demonstrar que podem fazer melhor.
Esse problema não é exclusivo do Brasil ou dos brasileiros. O problema exclusivo nosso é, até quando permitiremos que isso continue acontecendo? Até quando manteremos nesses importantes postos, aqueles que historicamente se colocaram a favor do povo no discurso e a favor de si mesmos na prática?

sábado, 5 de março de 2011

Luva de Meia e a incompetência generalizada


Lamentavelmente, no mundo profissional, o que encontramos cada vez mais é a incompetência.
Basta precisar de um serviço especializado e você logo vai perceber o que estou falando. Pode ser um eletricista, pedreiro, pintor, encanador, etc. Em geral, aquele que vem até sua residência para prestar o serviço.
Eu costumava perder a boa com o dito cujo do prestador. Atualmente, fico p. da vida, mas me mantenho sem dar nenhuma resposta mal educada.
Esses dias, e não foi a primeira vez, daí minha indignação, precisei do serviço de um encanador. Primeiramente, foi um parto doloroso achar alguém que se dignasse a prestar o serviço.
Dizem que não conseguimos encontrar com facilidade porque os bons profissionais estão com a agenda lotada. Sei lá. Não acredito muito nessa não.
Contudo, vamos lá com a ocorrência.
O Encanador chegou com quase 3 horas de atraso em relação ao horário que combinamos. Dessa maneira, perdi minha manhã todinha e já sabia de antemão que a tarde tinha ido por água abaixo. Literalmente.
Passados alguns minutos, vem o tal do encanador:
- Seu Mauricio! Sr. Tem uma luva de meia?
- Luva de meia?? Que isso?
- É pra juntar as duas partes do cano
- Não tenho não! Nem sei direito o que é isso exatamente.
Interessante o acontecido. Será que o encanador acreditava de fato que se ele não tinha a peça necessária, eu teria? Parece brincadeira, não é?
Me segurei para não dar aquela resposta mal educada, tipo:
- Claro que tenho! Mesmo sem saber direito o que é, comprei uma dúzia de Luvas de meia, porque sabia que você ia precisar. Ora, tenha paciência.
Mas infelizmente, esse caso não é isolado. É pintor que pergunta se temos jornal para forrar o chão, pincel estreito para emoldurar, estopa e removedor, etc.
Ou ainda, o eletricista que pergunta se temos fita isolante. Nessa ainda dei, sorte outro dia. Como me arrisco a uns consertinhos em casa, fita isolante eu tenho.
Mas o negócio seria até cômico, não fosse trágico. Como esperamos ser desenvolvidos e potência econômica, se nossos profissionais são despreparados até nas pequenas coisas?
O que falta? Ou melhor, o que sobra? Será que sobra “jeitinho brasileiro” e falta boa vontade e interesse?
Vai saber! Enquanto isso, vamos lá ver se o encanador já arrumou a tal de “Luva de Meia”.