sábado, 26 de fevereiro de 2011

Que seu Sim, seja sim e que seu Não, seja não. Mas que seu sim não seja resultado de emoção e seu não, não seja fruto de capricho.


A Ética do trabalho voluntário, muitas das vezes nos coloca em situações onde precisamos repetidamente, dizer não. Basicamente, quando há questões envolvendo regras que outras pessoas desejam ver quebrado em benefício próprio.
É como, por exemplo, em uma distribuição de víveres, ou numa festinha para crianças onde doamos brinquedos ou dividimos os grupos para participar de brincadeiras, que sejamos cobrados a deixar “fulano” ou “sicrano” participarem ou levar consigo algo que, pelas regras estipuladas não teria direito.
O critério de justiça adequado ao momento é aplicar a regra estabelecida. Sendo necessário,  que a  criança freqüente as aulas matinais aos domingos para participar da festinha do dia das crianças, que essa regra seja mantida. Ou corre-se o risco de não obtermos mais a adesão nas ditas aulas domingueiras. Afinal, se um pode gozar dos brinquedos sem participar, porque os demais não?
Ou ainda: se todas as famílias têm que cumprir requisitos mínimos para ter direito a assistência de uma cesta básica com alimentos, porque alguém que não cumpriu deveria ter esse direito.
Esse cuidado deve ser tomado patrulhando nossas decisões. Algumas vezes, aquela carinha triste e olhinhos de sofrimento enganosamente nos levam a compaixão. Que nos será cobrada depois por parte dos que se sentiram lesados. Em outras oportunidades, dizemos não simplesmente por dizer. Precisamos estar seguros de não ser simplesmente um capricho de nossa parte.
Lembro-me de duas situações a respeito que usarei para exemplificar.
O rostinho angelical, manipulação.
Certa vez em uma festa dedicada ao dia das mães no Projeto onde realizamos o trabalho voluntário de evangelização, uma das crianças cuja mãe não compareceu ao evento, pediu com aqueles olhos do “gato do Shrek”, que lhe fosse entregue o mimo que caberia a sua mãe, caso tivesse ido.
Senti-me comovido e acabei entregando. Logo no minuto seguinte percebi o grave erro que havia cometido. A criança saiu toda faceira comentando com os demais, como eram bobos, pois sua mãe que nunca havia ido até a escola, acabara de ganhar um presente.  Aquilo acabou me gerando ao menos duas semanas de explicações aos que logicamente, sentiram-se prejudicados por meu ato.
O capricho ditando regras.
Outro caso que gostaria de trazer aos leitores envolve o capricho na tomada de decisão. Desde sempre, estipulamos que três faltas, mesmo que não consecutiva em um mesmo semestre da evangelização, implica na perda da vaga por parte da criança, que deverá se candidatar a nova vaga no semestre seguinte.
As primeiras crianças que cometeram as três faltas foram comunicadas que deveriam pleitear nova vaga no semestre seguinte.
Percebemos com o passar do tempo que algumas crianças faltavam dentro de um padrão quase repetitivo:  primeiro domingo do mês, terceiro domingo do mês, a cada dois domingos.
Ao procurarmos saber os motivos, descobrimos que mais que sessenta por cento delas tinham pai, mãe ou ambos, incluídos no sistema carcerário estadual. E que as faltas, coincidiam com os dias de visitas.
Tivemos que rever nossa posição, uma vez que o esforço daquelas crianças para estar presente nos domingos que compareciam, provavelmente era maior do que o dos demais. Talvez até, mais que o nosso.
O trabalho nos cobra coerência a todo o momento. Contudo, precisamos sempre nos amparar no bom senso.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Trabalho Voluntário: Satisfação e Ética

Há sem duvida, uma grande satisfação por parte daquele que se presta ao serviço voluntário. Seja ele educacional ou assistencial, não tem coisa mais gratificante do que o sorriso de alguém que viu uma necessidade sua atendida.
O acompanhante do enfermo que recebe no hospital, um lanche para amenizar a fome e uma muda de roupas para se trocar depois de um banho, ou a criança que durante vários meses vimos se desenvolvendo na evangelização, sorridente apresentando aquela peça ou o coral no final de ano. Como dizem, não tem preço.
Durante esses anos a frente da evangelização infantil, pude presenciar muitos exemplos de irmãos que chegaram muito dispostos a ajudar os carentes. Só depois de algum tempo na seara do Mestre, é que se dão conta de que o maior beneficiado foi ele próprio. Eu mesmo não escapei a isso. Inicialmente, convidado por um amigo a conhecer o serviço voluntário que desenvolviam em um bairro carente da cidade, fiquei impressionado e compadecido com o sofrimento dos voluntários que em pequeno grupo, atendiam cerca de duzentas crianças todos os domingos. Fiquei na intenção de ajudá-los. Após alguns meses e, com o coração já menos endurecido, percebi o sofrimento de muitos daqueles pequenos irmãos que ali eram atendidos. Só depois de alguns anos e com o coração realmente aberto, percebi que aquele que mais tinha sido beneficiado era eu mesmo, porque afinal de contas, era quem mais precisava ser atendido.
Porém, com o passar do tempo, parece-nos que em alguns casos o coração volta a enrijecer. É quando alguns companheiros parecem se esquecer que o trabalho voluntário é aquele feito com Jesus. O Mestre está conosco o tempo todo nos acompanhando e nos orientando. Portanto, precisamos estar atentos as suas palavras expressas no evangelho.
Por isso, para que não haja duvidas sobre a boa intenção das pessoas, é necessário que o voluntário saiba que há um código de ética a ser seguido: o voluntário serve a causa e, não se serve da causa. Ou seja, em primeiro lugar, os assistidos.
Porém, infelizmente há situações que essa premissa não é respeitada. Lembram-se daquele caso mostrado na TV, durante a assistência aos desabrigados da chuva em Santa Catarina? Apareceram cenas de voluntários, separando para si, peças de roupas que ao invés de serem distribuídos, seriam destinados aquelas próprias pessoas que estavam ali para ajudar. Interessante notar, que não se tratam de bandidos como muitos falaram na época. São pessoas comuns que acreditaram que teriam direito aquelas peças porque estavam ajudando.
Quer ver como isso acontece? Organize um bazar da pechincha e chame um grupo de pessoas para ajudá-lo a separar, catalogar e atribuir preços as peças que serão vendidas aos carentes. Observe como algumas pessoas provavelmente separarão algumas peças e depois virão perguntar se podem levá-las. Provavelmente vão se oferecer para pagar. Mas, se o objetivo é atender aos carentes, não seria melhor que esses irmãos se cadastrassem como assistidos e não como voluntários?
Cabe muitas vezes, ao coordenador das atividades do voluntariado, de maneira caridosa, chamar a atenção desses irmãos para a falha que estão cometendo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PEQUENAS VITÓRIAS – GRANDE SUCESSO

PEQUENAS VITÓRIAS – GRANDE SUCESSO

Mauricio Moura


O que dá maior prazer? Uma grande vitória ou uma pequena vitória? Se você pensar bem, verá que a resposta é simplesmente uma vitória. Não precisa ser grande! Vitória, traduz-se no sucesso de um empreendimento no qual nos aplicamos. Se for um grande empreendimento, ótimo! Porém, normalmente, não nos lançamos em grandes feitos. Ou por insegurança, ou por despreparo, ou por falta de recursos.

Imagine formarmos um time de futebol com nossos amigos barrigudos, carecas, quarentões e cinquentões e buscarmos uma vitória num jogo contra o Corinthians? Não vou citar o Palmeiras porque talvez não consiga concluir meu raciocínio.

Possivelmente, se esse jogo ocorresse, o resultado fosse um dos maiores fracassos futebolísticos da história. Claro que o Corinthians nem ia topar. Mas....

No ano passado, lançamo-nos, Eu e minha família, num desses mega empreendimentos. Quase retratando o jogo de futebol que mencionei hipoteticamente. Resolvemos construir uma casa enorme em nossa chácara, com poucos recursos e sem conhecer nada de chácara ou de construção. Somente com um projeto que se modificava de acordo com os palpites que ouvíamos.

Resultado: quebramos a cara! O que havíamos começado em Fevereiro, parou em Junho sem que tivéssemos concluído e sem nenhum tostão no bolso para nada. Aí veio a “grande idéia”: Vamos mudar assim mesmo e terminar aos poucos. Disse minha mulher. Achei um absurdo! Quase fugi de casa. Mas.... encaramos e mudamos assim mesmo. Apenas fizemos algumas coisas para que ao menos não chovesse nas nossas cabeças. Nem reboque nas paredes a casa tinha! O piso, era de concreto rústico que não dava nem para varrer! As folgas embaixo das portas, mediam mais que 5 centímetros! Afinal, haviam sido deixadas para que puséssemos o piso. Quando chovia, entrava água até o meio da casa! A instalação elétrica terminei quando o caminhão que trouxe a mudança saiu pelo portão afora.

Os primeiros dias foram terríveis! Perguntava-me o que havia acontecido. O que tinha saído de errado para chegarmos naquele ponto?

Dentro da Casa, três cômodos entulhados de móveis desmontados. Havia definição somente de onde era a cozinha e o banheiro. Quarto e sala se misturavam. Parecia uma tenda.

Aos poucos, fomos nos acostumando. Em três meses mandamos construir uma parede que dividia a sala, permitindo o surgimento de um quarto. Esse simples ato, nos deixou maravilhados. Que alegria, depois de vários meses, enfim víamos algo de esperançoso. Em cinco meses, havíamos recobrado o ânimo e rebocado a casa toda por dentro e ainda, colocado piso de cerâmica. A felicidade foi indescritível. Como nunca havíamos reparado a falta que fazem essas pequenas coisas?

Hoje, dez meses depois, estamos rebocando a casa por fora. É mais uma vitória que estamos conquistando. Há outras por vir. Temos que terminar ainda, a segunda parte da casa, onde ficam os demais quartos e banheiros. Possivelmente, a casa ficará do jeito que planejamos. Não no tempo que planejamos.

Se já estivesse pronta, talvez não déssemos tanta importância para um reboque na parede ou um ladrilho do piso. Não seriam vitórias para nós.

Se tivéssemos conseguido terminar de uma única vez como planejado, seria comparado a entrarmos com nosso time de carecas e barrigudos quarentões no ultimo jogo do campeonato e levantado a taça. Que sem graça!

24/07/2003.

em construção

Escrevendo! guenta ai!